sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Legislação para quem quer parto normal e quer saber mais sobre seus direitos como mulher, gestante e mãe

É importante que as gestantes/mulheres conheçam um pouco sobre seus direitos. Listamos aqui bases legais importantes para quem quer parto normal e que também quer saber mais sobre seus direitos como mulher, gestante e mãe.

Valendo no Brasil:

Lei do Acompanhante (LEI Nº 11.108, DE 7 DE ABRIL DE 2005.): para garantir às parturientes o direito à presença de acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11108.htm


Lei Maria da Penha (LEI Nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006): Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher

Lei da Licença-maternidade (LEI Nº 11.770, DE 9 DE SETEMBRO DE 2008): destinado à prorrogação da licença-maternidade mediante concessão de incentivo fiscal
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11770.htm

Lei da pensão alimentícia durante a gestação (LEI Nº 11.804, DE 5 DE NOVEMBRO DE 2008): Disciplina o direito a alimentos gravídicos e a forma como ele será exercido.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11804.htm

PORTARIA MS Nº 1.459, DE 24 DE JUNHO DE 2011: Para humanização do parto e nascimento: Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS - a Rede Cegonha.
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1459_24_06_2011.html

PORTARIA MS Nº 1.020, DE 29 DE MAIO DE 2013: sobre a casa de gestantes, para gestantes de alto risco
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt1020_29_05_2013.html

Portaria MS Nº 371, DE 7 DE MAIO DE 2014: Institui diretrizes para a organização da atenção integral e humanizada ao recém nascido (RN)


PORTARIA MS Nº 11, DE 7 DE JANEIRO DE 2015: incentivos ao parto normal e humanizado

RESOLUÇÃO NORMATIVA ANS 368 DE 06 DE JANEIRO DE 2015: Dispõe sobre o direito de acesso à informação das beneficiárias aos percentuais de cirurgias cesáreas e de partos normais, por operadora, por estabelecimento de saúde e por médico e sobre a utilização do partograma, do cartão da gestante e da carta de informação à gestante no âmbito da saúde suplementar.

RESOLUÇÃO NORMATIVA ANS 398 DE 05 DE FEVEREIRO DE 2016: Dispoõe sobre a obrigatoriedade do credenciamento de Enfermeiros obstétricos e obstetrizes por operadoras de planos privados de assistência à saúde e hospitais que constituem suas redes e sobre a obrigatoriedade de os médicos entregarem a nota de orientação à gestante.


Valendo em Alagoas:

Lei Estadual 8.129/19, que garante a presença de doulas nos hospitais e maternidades das redes pública e privada de Alagoas durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato

Lei 8.130/19, garantindo a toda gestante o direito a receber assistência humanizada durante o parto e nascimento

Quem tiver mais a acrescentar e quiser nos ajudar a enriquecer o nosso material, agradecemos! é só falar com a gente no WhatsApp.


quinta-feira, 19 de setembro de 2019

UM PARTO NORMAL PADRÃO OU... COMO MUITOS MÉDICOS APRENDERAM, NA PRÁTICA, COMO CONDUZIR UM PARTO NORMAL

Relato de parto normal (cheio de intervenções desnecessárias) em Botucatu SP - 2004

Pari em hospital escola. A violência já começou no pré-natal, quando a médica fazia o toque desnecessário e, em seguida um ou dois residentes. Cheguei no Hospital Sorocabana em Botucatu às 7 horas da manhã, com contrações ritmadas de 5 em 5 minutos. Fiquei esperando de pé, no corredor gelado e vazio do hospital, onde o único apoio que eu tinha era o bebedouro e meu marido. Eu gemia alto e as dores aumentaram consideravelmente por causa do frio e por não ter nada pra me apoiar, que me deixasse em uma posição confortável. Não sei quanto tempo fiquei ali. Uma enfermeira veio, me olhou, e me mandou embora pra casa sem nem mesmo fazer a auscuta fetal pra ver se os BCFs do meu filho estavam ok. Ela me falou “iiiih, vai pra casa, porque isso aí ainda vai piorar muito! Esse bebê só vai nascer amanhã, e olhe lá!”. Me liberou pra comer o que quisesse, graças a deus! Fui pra casa, sem vontade de voltar pro hospital, mas voltei logo em seguida. A enfermeira não gostou, me chamou de fresca e que se eu estava gemendo alto daquele jeito naquela hora, imagine no dia seguinte! Falou que era pra eu esperar (ali, naquele corredor gelado), porque a médica estava tomando café da manhã.

Esperei, não sei quanto tempo, não deve ter sido muito, mas parecia uma eternidade. Meu marido estava comigo, então me agarrei nele. Precisava me apoiar e ele foi meu apoio.

Algum tempo depois chegou um residente. Me mandou entrar numa salinha. Meu marido quis entrar, ele falou que não era pra entrar, que não era permitido. Me fez subir naquelas escadinhas (pra mim dar um passo era difícil) e deitar naquela maca fininha. Entre uma contração e outra eu ainda perguntei: “e precisa mesmo fazer isso?” Ele só disse que sim.  Pensei que fosse cair. Eu, que desde o quinto mês de gestação não conseguia me deitar de costas, só de lado, fui obrigada a me deitar de costas em pleno trabalho de parto! Me deitei. O médico fez o toque. A médica, professora chegou com um batalhão de residentes. Segundo meu marido eram mais de 10. Acredito que ela aproveitou que estavam todos saindo do café da manhã pra dar a aula dela. O residente falou que estava com 9 cm de dilatação. A médica fez o toque, mandou outro residente fazer o toque. Sim, certo, 9 cm... “vamos estourar a bolsa”. Eu gritei que não era pra estourar a bolsa (não tinha como falar de outra forma). Ela me perguntou: “e por quê não?” E estourou. Eu sabia que estourar a bolsa poderia causar um prolapso de cordão... mas ali naquele momento, eu não tinha forças pra argumentar... meu marido, meu defensor, estava do lado de fora assustado.

Me mandaram levantar e ir pra sala de cirurgia. Me desesperei “não, não, eu quero parto normal!”. Falaram que era lá que eu ia parir. Precisava ir correndo porque já ia nascer. Precisei me levantar da maca, descer as escadinhas e ir andando a passos lentos. Antes disso me fizeram tirar o vestido e colocar aquele aventalzinho do hospital, que começou a cair do meu ombro (pois eu não consegui amarrar) e o avental escorregou pros meus braços... eu semi nua toda ensangüentada andando pelo corredor, colocava as mãos por baixo, sentia que meu filho estava nascendo, travava nas contrações com medo dele cair. E meu marido assustado me viu e foi me ajudar. O impediram. Ele começou a brigar, a bater boca, queria entrar comigo. Foi impedido. Eu acenei com a mão pra ele ficar quieto. Fiquei com medo do que poderiam fazer comigo. Continuei andando e segurando com as mãos, de medo do meu filho nascer e cair no chão.

Entrei na sala de cirurgia.  Subi novamente nas escadinhas, me deitei na maca... muita dor pra deitar. Pediram que eu abaixasse a bunda pra encaixar minhas pernas nos estribos.  Assim fiz. Quando me deitei senti que o meu filho que já estava nascendo parou... perdi a força das contrações. Começaram a me mandar fazer força. Eu não tive vontade. A enfermeira falou “você não queria parto normal? Se quiser parto normal faça força, porque se não nascer em 15 minutos, vai ser cesárea. Segura nesses ferros e faça muita força!” Eu segurei nos ferros e fiz muita força... mas sentia que não ia, não dava. As contrações tinham ficado fracas, aquela posição não ajudava, era horrível, doloroso... A médica ia descrevendo meu quadro pros estudantes e ia falando dos procedimentos. Deu ordem pra alguem subir na minha barriga e empurrar e avisou que ia fazer um “cortezinho” pra “ajudar” a sair. Os residentes todos olhando, conversando. Avisou que ia colocar o fórceps, mas depois desistiu. Já estava nascendo. Ela queria demonstrar o “passo a passo” pros residentes. Me pergunto aqui se os residentes aprenderam que todos aqueles procedimentos tem risco. Que são dolorosos. Que são desnecessários. Me pergunto aqui se  esses estudantes são capazes de fazer questionamentos sobre os procedimentos que aprenderam. Me pergunto aqui se aqueles residentes entendem que a mulher tem direito sobre o próprio corpo e sobre o que será feito nele. Me pergunto aqui se são capazes de entender a importância que o nascimento de um filho tem pra mulher, pro pai, pra família e pra vida toda. Eu neguei a ruptura artificial da bolsa, mas me entreguei a todo o restante pensando na frase clássica: “se o estupro é inevitável, relaxa e goza”. Um residente fez os pontos da episiotomia, errados. A professora mandou desfazer e refazer. Eu sentia a agulha espetando e me costurando, sem anestesia. Ela deu ordem pra fazer o ponto do marido.

Meu filho nasceu e eu não o vi. Quis me levantar e ir atrás dele, me deram ordem pra ficar quieta, porque estava com hemorragia. Eu só queria chorar, aquele não é o parto da lagoa azul, como tinha imaginado. Tinham campos (aqueles panos) na minha frente. Eu não o vi, mas ouvi o choro desesperado dele em uma pia, enquanto uma mulher fazia os procedimentos também desnecessários e dolorosos com ele. Eu queria chorar também. Me mostraram ele já de roupinha, não me deixaram sequer pegá-lo no meu colo e sentir seu cheiro. A mulher me deu ordem: “beija ele, mãe, nem parece que ta feliz!”. Eu não estava mesmo. Rejeitei ele naqueles primeiros minutos. 42 semanas esperando... nem me deixaram olhá-lo direito. Eu pedi pra ficar com ele, a mulher negou. Falou que era pra eu descansar, dormir porque eu nunca mais ia dormir na vida. Avisou que só em duas horas eu poderia vê-lo. Eu queria ele comigo, pedi meu marido... finalmente deixaram ele entrar. Ele me deu um beijo, falou que eu era muito forte, que nosso filho era lindo e que ia atrás dele. Ele ficou olhando o Pedro pelo vidro do berçário.

Meu momento, o momento do meu marido, o momento do meu filho... foi uma aula de obstetrícia pra se ensinar o que jamais deve ser feito a uma família que está nascendo.

Muito mais de 2 horas sem conseguir dormir, esperando levarem meu filho pra mim, ele chegou... a primeira coisa que fiz foi tirar as luvinhas, queria ver os dedinhos dele e beijar as suas mãozinhas. Depois tirei toda a roupinha, queria vê-lo. Fiz questão de dar o "primeiro banho", eu não sabia de nada do que haviam feito nele... a aspiração, a sondagem, o banho, o colírio, o nitrato de prata... eu não sabia de nada.  

O ponto do marido destruiu a minha vida conjugal. Passei meses sentindo dor ao fazer sexo. Meu marido pensava que eu o traía. Rejeitei meu filho no primeiro instante, me deram ele já alimentado com leite artificial, o que dificultou imensamente a pega no peito, ele só queria dormir. Ficavam pesando ele várias vezes ao dia, levavam ele. Eu queria saber o que estavam fazendo, queria ir junto. Não deixavam.  Me deram ordem pra amamentá-lo de 1 em 1 hora, porque senão ele teria que ser picado de novo pra medir a glicose e tomar soro glicosado. Não íamos sair do hospital.  Assim fiz semanas a fio, mesmo depois de ir pra casa, de medo de voltar pro hospital.


Poderia ter sido diferente se eu tivesse informação, se as mulheres da minha vida tivessem conversado sobre parto e nascimento comigo, se eu soubesse o que me esperava. Mas não posso mais lamentar o parto e o nascimento do Pedro, nem culpar as mulheres da minha vida. Foi Pedro em seu nascimento que abriu portas pras minhas buscas pelo ativismo pela humanização do parto e nascimento. Foi através da minha experiência de parto que nunca mais parei de me informar, de estudar... Depois desse parto tive duas experiências muito diferentes... Um parto humanizado hospitalar e depois um parto domiciliar. Descobri o que eu tinha perdido. Descobri o que é bom. Descobri que um parto pode ser lembrado com sorrisos, alegria e vontade de reviver de novo aquele momento tão sublime!, e não com angústia, tristeza e sofrimento na lembrança do dia mais importante da vida de uma mulher.

Tive vontade de contar pra todo o mundo, o quanto é bom parir!! Como tomar a poção do amor e se apaixonar imediatamente pelo seu bebê e por quem esteve ali te ajudando com amor, respeito, cuidado.

O que eu posso dizer a partir das minhas experiências é: mulheres, se informem. Saibam que o parto normal pode ser lindo, humanizado, algo que seja lembrado com saudade. Pra isso é importante saber o que te espera, o que pode ser evitado, o que pode ser planejado.

Mas também preciso dizer... mulheres, nós estamos nessa busca.... mas não se culpem se, mesmo depois de se informar, de envolver o marido, de contratar doula, de se planejar, de escolher médico, hospital, fazer plano de parto... não se culpem se não conseguirem se livrar de violências obstétricas. Não se culpem se mesmo depois de muita busca ainda caírem em uma cesariana desnecessária... o sistema não facilita as coisas pras mulheres. Nem sempre conseguimos driblar o sistema. Não é culpa sua. Não é.

Pari em um hospital escola... Isso.. infelizmente foi assim que a maioria dos obstetras aprenderam....

É com muita determinação e persistência que vamos conseguir mudar o sistema de 1 em 4 mulheres vítimas de violência obstétrica (https://fpabramo.org.br/2013/03/25/violencia-no-parto-na-hora-de-fazer-nao-gritou/).

Vamos persistir na luta pra que obstetras se disponham a mudar esse padrão de altíssimas taxas de cesariana! (http://www.ans.gov.br/planos-de-saude-e-operadoras/informacoes-e-avaliacoes-de-operadoras/taxas-de-partos-cesareos-por-operadora-de-plano-de-saúde)

Não nos calamos, pelas mulheres que ainda vão parir! 

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Cesariana, parto normal padrão ou parto humanizado: qual a impressão das mulheres que passaram pela experiência?

CESARIANA É MESMO INDOLOR?

Pedimos pra mulheres descreverem o sentimento que tiveram em relação à cesariana no grupo "Parto Cezáreo Sim! Por quê não?" e selecionamos algumas das declarações para apresentar no I Seminário Alagoano sobre Humanização do Parto e Nascimento:

“Medo, angústia, solidão e uma ferida que nunca irá cicatrizar.”
(Eleide Mota)

"A sensação de não estar participando de nada.”
(Débora Soares)

“Fria, sem emoção. Impactou a amamentação”
(Juliana Freitas, médica)

“A pior experiência da minha vida.”
(Vanessa Gomes Lemos)

“Uma experiência traumatizante e dolorosa, que trouxe consequências quase desastrosas para a amamentação. Além disso, em virtude da limitação física imposta, me tornou dependente de ajuda no puerpério.”
(Paula Onofre Oliveira)

“O pós foi o cão. Muita dor ao urinar, não poder tossir, rir ou espirrar. Ajuda do marido para colocar até a calcinha.”
(Daniele Mota de Oliveira)

“Foi o maior inferno que eu vivi.”
(Marcelle Souza Schott Ribeiro)

“Uma imensa sensação de vazio, antes, durante e depois. Um buraco enorme na minha alma.”
(Ana Cristina Duarte)

“O que era pra ser o melhor dia da minha vida, foi o pior. Me senti impotente, fiquei sozinha e minha filha longe de mim. Todos sorriam felizes, menos nos duas. Horrível!!!”
(Vanessa Soares)


E O PARTO NORMAL PADRÃO? COMO É?

E também pedimos que as mulheres que tiveram parto normal padrão (cheio de intervenções desnecessárias e dolorosas) nos contasse sobre seus sentimentos em relação ao parto:

“sem acompanhante pré parto, ocitocina, camisolinha, sem água, sem comida, enfermeiras não respondiam, toque forçado (...), bolsa rompida artificialmente, amarrada na cama para cardiotoco de 50 min, (...), coroou, enf me leva p sala de parto, maca fininha fiquei com medo de cair, amarra perna na maca, (...), puxo dirigido, kristeller, episiotomia, gritos, risadas e humilhação, episiotomia sem anestesia local, sutura sem anestesia, bebe 1 min no colo e foi p o berçário 7 horas sem mamar. 12 pontos na episio.”
(Relato da Laura Alonso, que foi semelhante às declarações da Karem Paladina, Luciana Pamela, Thatiana Cardozo, e a minha, inclusive
... com algumas variações de procedimentos ... alguns a mais ou a menos...)
(Luciana Pamela após o parto normal frankestein)

e sobre intervenções com recém nascido... “Ouvia ele chorando sem parar. Depois de alguns minutos trouxeram meu filho todo embrulhadinho. Eu queria ver as mãozinhas, os pezinhos…. mas lá estava ele embrulhado, de luvinha, touquinha, meinha. Nem fazia ideia do que haviam feito com ele…”
(Milena Caramori)


“Sei que meu parto foi cheio de intervenções (…), mas foi normal como planejei e não fui cortada (…),quero ter outros filhos e dessa vez, vou me preparar melhor para teR meu PN humanizado.”
(Daniela Belo: parto normal hospitalar/ 2 obstetras)


“Em nenhum momento eu pensei em desistir. Mesmo quando o pediatra estava me olhando assustado e dizendo "nossa, tá difícil", nem assim eu achei que ele não nasceria ali. Eu tinha certeza de que conseguiria. Por isso, pra quem quer um parto normal, meu maior conselho hoje é, informe-se e não desista, você consegue.”
(Jacqueline Freire, parto normal hospitalar)


“Nosso médico foi essencial para conseguirmos chegar na realização deste sonho, pois ele respeitou as minhas decisões, foi encorajador, carinhoso, deu espaço quando eu pedia para ficar sozinha (…), e tive meu bebê de modo normal. Foi um sonho realizado.”
(Luana Ribeiro – parto normal hospitalar)



E O PARTO HUMANIZADO?

E... FINALMENTE... o PARTO HUMANIZADO... qual o sentimento das mulheres que tiveram um humanizado (ou que buscaram por um)? Esse parto onde a mulher é respeitada... onde a mulher não sofre intervenções desnecessárias e dolorosas...  onde a mulher tem consigo o acompanhante que desejar, onde são oferecidos métodos de alívio da dor... o que as mulheres que pariram humanizadamente acharam dos seus partos?

Obs.:com exceção do relato da Larissa, todos os demais abaixo são relatos de Alagoas, de mulheres que passaram pelo grupo Roda Gestante

"Parir meu quarto filho depois de ter passado por 3 cesáreas foi a realização mais mágica da minha vida. Consegui levantar e tomei um banho! Quanta diferença!!!!! Quem teve três cesáreas, ficar em pé alguns minutos após o nascimento do filho é quase uma loucura! Eu me sentia poderosa, forte, mulher!!!!! Tomei banho e voltei para a cama limpinha e peguei meu filho no colo. Peladinho, só de fralda e enroladinho em um pano. Lindo!!! Perfeito. E o que pude falar para ele naquela hora foi: ' Obrigada! Conseguimos!' "
(Larissa Moris Hernandes, 33 anos, estudante de enfermagem,
depois do VBA3C do Francisco) esse relato foi retirado do blog da Melania Amorim – Estuda Melania, estuda! (http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/estudando-vbac-1-experiencias-de-vba3c.html)

“Fiquei muito satisfeita (...) tudo foi explicado antes, em nenhum momento me senti desamparada”
(Andréia – parto normal hospitalar)


“A voz do meu marido no meu ouvido dizendo que ele tava vindo me fez encontrar a força que eu considerava perdida. Então ele veio, veio pra os meus braços. Esse foi o momento mais mágico, mais inexplicável que tive na vida. Vai ficar cristalizado na mente.”
(Lidi Felicidade – parto normal hospitalar)


“Eu não podia imaginar meu parto sem meus filhos...Lucas mamou minutos antes de davi nascer e Pedro cortou o cordão.”
(Milena Caramori, parto domiciliar)


“Cada um tem direito a escolha, eu RECUSEI SER PACIENTE QUE SE SUBMETE A REGRAS DETERMINADAS, escolhi a AUTONOMIA, ser a dona do meu parto! O parto foi um MOMENTO ÚNICO na minha vida, confesso que é tão mágico que ainda me sinto com a adrenalina circulando...”
(Diana Lima, parto domiciliar)


“ tudo valeu a pena, principalmente por poder me sentir tão selvagem e mesmo assim me tratarem com tanta humanidade.”
(Shayana Busson – parto domiciliar)


“Senti algo inexplicável nos braços do meu esposo...uma explosão de emoção partiu de dentro de mim...eu chorava como uma criança, e gritava de felicidade...eu dizia que eu era feliz, e agradecia a Deus por aquilo, que minha filha ia nascer... aquilo tomou conta de mim...e meu esposo a me abraçar e a chorar junto comigo, numa mesma sintonia.”
(Denise, cesárea intraparto)


“minha esposa, mãe da Maya, foi uma leoa, forte, focada, guerreira, suportando contrações fortíssimas por horas, até conseguir estabelecer uma conexão que eu nunca tinha sequer imaginado, uma conexão entre mãe e filha, única.”
(Demian, sobre o parto da esposa, Paulinha Kedouk – PD)


“Ao final de tudo considero o meu parto orgástico, puro prazer (…) quase dois meses depois ainda estou ocitocinada, é muito amor.”
(Marcelle Tanylle)



“ lindo, mágico, místico e transformador”
(Letícia Pacheco – VBAC domiciliar)
“Lê me permitiu estar do lado a cada contração. Dançamos, cantamos, namoramos, fiz massagem, fiz comidinha para ela e demos muitas risadas. Foi um momento muito feliz, a dor era presente mas não é o que marcou nossa experiência, pois compartilhamos amor mais do que qualquer outra coisa.”
(Joaquim Prado, sobre a esposa Letícia Pacheco)


“Foi perfeito com todas as imperfeições! A experiência mais incrível de nossas vidas!!! Sinto-me ligada aos meus amores por essa luta e pelo amor que dela se alimentou.”
(Gilson sobre a esposa, Débora – PD)


“Parir é amor na essência, é transformação, é emoção. Sem dúvida a maior experiência de amor que eu já vivi!”
(Thássia Santos – parto domiciliar)


“Viveria aquele momento mais um milhão de vezes!
(…) linda e imperdível experiência de vida!!!”
(Bela – parto natural hospitalar)


“um lindo, demorado, respeitoso e surreal parto natural”
(Guadalupe Sanches – parto normal hospitalar)


“O nascimento de Analu me conectou diretamente com o divino e me levou para o mar mais profundo de minha essência!
Chega a ser indescritível! Quero parir de novo. “
(Dira Eugênio: parto domiciliar)


“Eu olhei para aqueles olhos escuros. Era um olhar profundo e muito calmo e seguro. Naquele momento me coloquei a disposição dela para sempre. E ela depois de olhar para nós levantou a cabeça e olhou para o lado onde todos estavam a lhe esperar. Foi incrível! Meu esposo atrás de mim falou: Amor me dá um beijo. E naquele instante um sentimento de muito amor tomou conta de mim e o beijei muito.”
(Liliane Pinheiro – parto domiciliar)


Quero outros filhos, quero outros partos, todos dignos, respeitosos e cheios de amor como esse foi. Parir é bom demais!”
(Cinira Honorato, parto domiciliar) / 3 obstetras)



PS: tivemos a autorização de todas as mulheres para citá-las com suas declarações. 

O Roda Gestante tem trabalhado para empoderar as mulheres através da informação, para que mais mulheres possam escapar de cesarianas desnecessárias e de partos violentos. Para que consigam um parto humanizado, assistido com respeito e profissionalismo, e que possam relembrar do parto como um evento maravilhoso! Porque o parto é inesquecível... nada como lembrar desse evento com saudade, relembrando que a dor foi transformadora e não sofrida.

E que venham mais relatos de bons partos! 

LIPOASPIRAÇÃO? VOCÊ QUER? EU FAÇO... MAS ANTES....

Vi essa semana, no discovery home and health... um programa onde mulheres queriam se submeter a lipoaspiração. O médico mostrava a todas as candidatas uma cânula (tipo uma faca comprida) e como seria usada... e também uma cirurgia de lipoaspiração. O médico falava também que precisava analisar se os riscos da cirurgia, se valiam a pena.

Algumas, aparentemente decididas em fazer a lipo, ao ver o filme falavam... "eu não quero isso pra mim!" "talvez no meu caso seja melhor fazer exercício físico" (algo do tipo)... método alternativo.

Acho que no caso da cesariana eletiva o tratamento deveria ser o mesmo:


- Tem certeza de que quer a cirurgia?
- Sim.
- Então vamos falar sobre os riscos.... mortalidade materna 3 vezes maior; mortalidade neonatal 2,5 vezes maior.
- Mas eu tenho medo da dor...
- Mas pra aliviar a dor tem vários métodos de alívio... bola, água quente, doula, marido junto, massagem e até anestesia se quiser... 



- Me disseram que a dor do parto é a dor da morte!
- Quem disse isso provavelmente associou a dor ao sofrimento... quem fala isso geralmente é mulher que foi desrespeitada no seu parto... que sofreu intervenções desnecessárias (enema, tricotomia, sorinho, ou ocitocina sintética, ruptura artificial da bolsa, litotomia, kristeller, episiotomia) que não teve o direito do acompanhante respeitado (de ter o marido ou quem quer que queira no nascimento), que foi impedida de ser alimentar, de beber água, de se movimentar em trabalho de parto e de escolher a posição pra parir e também não foi oferecido nada pra aliviar a dor. Pacote completo ou parte do pacote.

Kristeller = pressão no fundo do útero

"sorinho" = ocitocina sintética


episiotomia = corte no períneo


- Mas eu quero assim mesmo... porque se o médico faz essas intervenções dolorosas é porque é necessário. E não quero passar por essas intervenções.
- De jeito nenhum... muitas dessas intervenções, além de desnecessárias, podem até causar sofrimento fetal... como o sorinho... e o rompimento artificial da bolsa, que pode causar prolapso de cordão. E o kristeller, que pode causar fraturas no bebê e na mãe, além de hemorragias internas.
- Mas eu quero cesárea, só conheço gente que teve cesárea, e todas foram salvadoras (os bebês nasceram e foram direto pra UTI).
- Provavelmente foram pra UTI porque nasceram prematuros.. típico de cesárea agendada, sem a mulher entrar em trabalho de parto.



- Mas eu quero cesárea, porque é rápida... não quero passar dias com dor. A cesárea é rápida, indolor e 100% controlada.
- Então vamos ver o vídeo de uma cirurgia... (e mostra os cortes, as costuras: coloca no youtube que têm vários)... será mesmo que é 100% controlada? Vamos relembrar que a cesarea aumenta o risco de mortalidade materna em 3 vezes? e neonatal em 2,5 vezes?
- Mas prefiro assim, vou estar anestesiada, vou querer anestesia geral, não quero ver nada!
- Então vamos falar de pós parto... mãezinha não vai conseguir segurar seu filho direito... vc vai estar anestesiada no nascimento, não vai ver seu filho.. vai perder a hora de ouro, o imprinting... e a dor vem depois... várias camadas cortadas.... maior dificuldade de cicatrização, maior risco de infecção e hemorragia... dificuldades na amamentação... maior risco de depressão pós-parto... aderências, complicações em gravidez posterior... 
- Continuo querendo. Acho que não tenho dilatação... é de família.
- Querida, falta de dilatação não existe... toda mulher dilata... assim como o cordão enrolado no pescoço não mata, bebê não tem prazo de validade (e pode passar de 42s se for vontade da mulher esperar), bolsa rota por si só, assim como mecônio não é indicação de cesárea... etc. Melania Amorim (http://estudamelania.blogspot.com.br/) enumerou mais de 150 falsas indicações de cesárea. E falta de dilatação é só uma delas.
- Eu não quero ficar relaxada! E o play do marido? Tou tensa.
- Mulher... esse negócio de ficar relaxada não tem nada a ver com a via de parto... isso acontece em função do relaxamento do assoalho pélvico, por causa do peso da gestação. Conhece o pompoarismo?
- Tá.. Acho que o problema maior da minha gestação é que não quero parto normal porque não quero.... cresci ouvindo que a dor do parto é a dor da morte, morro de medo da dor... não tenho medo de cirurgia, não tenho medo de arriscar minha vida em uma cirurgia desnecessária... e.. gosto de planejar tudo. Quero estar com as unhas feitas, o cabelo arrumado e as lembrancinhas prontas.
- Nesse caso, vou te encaminhar pro psicólogo. Se depois de passar pelo psicólogo vc continuar querendo... fazemos, um direito seu. Mas vamos aguardar o trabalho de parto.

Assim como a lipoaspiração. Com todos os riscos, a mulher continua querendo? Direito dela.

Mas não sem antes informar de todos os riscos.

E, claro... vamos aguardar o trabalho de parto!



Quem somos nós?


O Grupo Roda Gestante surgiu a partir de uma lista nacional de discussão sobre humanização do parto e nascimento, a Lista Parto Nosso. Foi nessa lista que Rebeca Charcar, uma das moderadoras, sugeriu a criação do grupo em Maceió.

O Grupo Roda Gestante é um GAPP (Grupo de Apoio Parto do Princípio) faz parte da Rede Parto do Princípio, uma rede nacional de empoderamento em busca da humanização do parto e nascimento: GAPP - Grupos de Apoio Parto do Princípio

Andrezza Souto, Milena Caramori, Anne Nogueira e Fernanda Café foram co-fundadoras do Grupo.

Andrezza e Fernanda passaram por cesarianas desnecessárias, Milena, por um parto normal padrão, cheio de intervenções, e Anne não se livrou da episiotomia. O grupo Roda Gestante foi uma forma de trabalhar os sentimentos ruins do nascimento dos filhos, oferecendo informação para futuras mães.

Desde então o grupo se modificou e hoje somos 4 coordenadoras: Andrezza Souto, Danielle Freitas, Milena Caramori e Wanessa Oliveira. Wanessa e Danielle também passaram por cesarianas desnecessárias.

Milena e Andrezza são co-fundadoras do Grupo Doulas do Roda, onde compõem, junto a Mirella Nobre e Elyssandra, um grupo atuante desde de 2017, com o atendimento de mais de 100 partos em Maceió e região.

Através das nossas experiências e do nosso trabalho como doulas queremos contribuir para que as mulheres busquem cada vez mais os seus direitos sexuais e reprodutivos, em busca de partos e nascimentos respeitosos, humanizados. Venham se informar com a gente!

O Grupo Roda Gestante tem oferecido informações em 4 ambientes:
- neste blog;
- na fanpage (facebook): funpage Roda Gestante
- no Grupo Fechado (facebook): Grupo Fechado Roda Gestante - facebook
- no Instagram: Roda Gestante
- em reuniões presenciais, realizadas em MACEIÓ/AL, no Espaço SerHuno, na Jatiúca e em MARECHAL DEODORO/AL, no Loteamento Encontro do Mar. As datas são divulgadas na fanpage e no Instagram

Maiores informações, entrem em contato através de ligação ou WhatsApp:
Andrezza Souto: (82) 9658-1661
Milena Caramori: (82) 8804-4129

Coisas sobre Gestação, Parto e Amamentação que Toda Mulher Merece Saber

COISAS SOBRE GESTAÇÃO, PARTO E AMAMENTAÇÃO QUE TODA MULHER MERECE SABER:

1) A mulher e sua fisiologia natural precisa ser respeitada durante todo o processo de trabalho de parto, parto e pós-parto. A mulher é a protagonista do próprio parto. Todo o procedimento realizado no CORPO DA MULHER precisa ser informado e autorizado por ELA. Isso é humanização do parto. O contrário disso é violência obstétrica.
Foto: Arquivo pessoal de Luciana Marcolino
2) É importante que a mulher, o companheiro e/ou acompanhante se informem pra entender exatamente os riscos de cada procedimento e negá-los ou aceitá-los, porque .... infelizmente a grande maioria dos médicos (com raras exceções) escolhe o que é mais prático e seguro pra eles (medo de processo) e não o que é mais seguro pra nós.
3) Muitos profissionais se negam a aceitar o protagonismo da mulher sobre o próprio corpo.Nesse caso a mulher pode SIM solicitar um termo de responsabilidade que isente o profissional da responsabilidade.
4) A cesariana desnecessária coloca a vida da mulher em risco, assim como a do bebê. Aumenta o risco de mortalidade materna em até 5 vezes e de mortalidade neonatal em mais de 2,5 vezes. A probabilidade de que o bebê desenvolva problemas respiratórios é aumentada em 120 vezes. A cesárea não é 100% segura e não é 100% indolor. A anestesia pode trazer desconforto e vômitos, o contato com o bebê fica prejudicado, o leite demora a descer, a mulher pode passar meses com dor na coluna (em função da anestesia) e pode sentir dores fortes na cicatriz da cesárea.
Foto: Google
5) O afrouxamento do assoalho pélvico acontece em função do peso na gestação e independe da via de parto (vaginal ou cesárea). Exercícios como o pompoarismo podem ajudar a fortalecer a musculatura pélvica.
6) Monitorar os BCFs (Batimentos Cardíacos Fetais) no pré-natal e durante o trabalho de parto é importante (no trabalho de parto em tempo aproximado de 30 em 30 minutos), mas durante o trabalho de parto os BCFs podem ser monitorados na posição que ela estiver se sentindo confortável (não precisa deitar pra fazer o monitoramento).
Foto: Rhuanny Peixoto
7) Trabalho de parto é quando a mulher tem contrações ritmadas (geralmente doloridas) de 5 em 5 minutos (e vai diminuindo... de 4 em 4, de 3 em 3) e com duração aproximada de 30 segundos (esse é o momento de ir pro hospital ou de chamar a parteira).
8) O tampão pode sair semanas ou dias antes do trabalho de parto, ou pode sair na hora do parto (sem que a mulher veja). Geralmente quando o tampão sai muito antes do trabalho de parto o corpo reconstitui o tampão (que pode ser visto novamente, ou não).
Foto: Google
9) Toques são desnecessários, especialmente no pré-natal, e podem veicular infecções. Colo fino quer dizer que o parto esta próximo; colo grosso, pode demorar... mas serve para amedrontar a mulher que não sabe disso. Alguns obstetras também fazem descolamento de membranas (uma forma de induzir o parto) durante o toque, muitas vezes sem informar a gestante e sem informar sobre opções e riscos... por isso o toque *não é inofensivo*. Toques DURANTE o trabalho de parto só devem ser feitos se **a mulher** tiver interesse em saber como anda a dilatação.
10) As contrações podem ser indolores ou doloridas e podem ser sentidas pela mulher quando a barriga endurece e depois relaxa novamente.
11) As contrações de Braxton Hicks são as contrações de treinamento, indolores, que começam muito antes do bebê nascer, às vezes meses antes...
12) Algumas contrações com dor podem ocorrer também, esporadicamente, mas é importante que não sejam confundidas com infecção urinária. Infecção urinária merece atenção, não é algo pra deixar pra lá.
13) Na hora do parto não existe contração "boa" ou "ruim". Existe a contração fisiológica, que vem da particularidade de cada mulher.
14) A parte mais dolorida NÃO É a do expulsivo (quando o bebê está saindo), mas SIM o trabalho de parto... quando a mulher chega aos 7 a 8 cm de dilatação ela quer alívio da dor, é nessa hora que ela precisa de um abraço (hora da covardia), de palavras de apoio, de estímulo, de amor e respeito. Uma doula ajuda muito e esse é o trabalho dela. É importante receber a dor, aceitar e agradecer... Nessa hora é bom lembrar que quanto mais dói mais próximo está de acabar e ver a carinha do bebê.

Fotos: Rhuanny Peixoto
15) A dor do parto pode ser aliviada com água quente, massagens, posições que o corpo assume, respiração, vocalização, presença de uma pessoa de confiança, ambiente conhecido e uma boa doula.
16) A ultrassom é um artifício muito usado por obstetras pra indicar cesarianas desnecessárias. Circular de cordão NO PESCOÇO, na perna, no tórax... 1, 2, 3 ou mais circulares NÃO SÃO indicação de cesariana, porque o bebê RESPIRA PELO CORDÃO... se os BCFs estão ok, o bebê está ok. Placenta grau I, II ou III só indica a proximidade do parto... placenta grau III, muitas vezes chamada de "placenta envelhecida" só quer dizer que o parto está próximo.
Foto: Rhuanny Peixoto
17) A bolsa pode ou não estourar, alguns bebês nascem empelicados (dentro da bolsa íntegra). Porisso não é preciso que o médico estoure a bolsa. A mulher pode negar que o médico estoure a bolsa, sabendo que além de ser desnecessário, aumenta o risco de infecção e pode causar prolapso de cordão (quando o cordão sai antes do bebê. Nesse caso, a cabeça do bebê pode comprimir o cordão por tempo suficiente pra causar sofrimento fetal, por impedir o fluxo sanguíneo).
18) Se a bolsa estourar naturalmente e a mulher não sentir contrações, pode esperar o trabalho de parto. Bolsa rota NÃO É indicação de cesárea. Nesse caso o que deve ser feito é observar a temperatura da mulher, porque se houver febre, é sinal de infecção, nesse caso ministra-se ATB (antibiótico) e aguarda o trabalho de parto e parto. Casos de bolsa rota de 30 - 40 horas são frequentes, mas há casos com mais de 100 horas de bolsa rota.
19) Às vezes a bolsa estoura com mecônio (que é o cocô do bebê), mas mecônio pode (ou não) indicar sofrimento fetal, por isso o que importa é se os BCFs (Batimentos Cardíacos Fetais) do bebê estão ok. É comum os bebês fazerem cocô quando o sistema digestório está desenvolvido, mas bebês em sofrimento fetal contraem os músculos abdominais e fazem cocô. Então quando há mecônio o BCF apontará se é sofrimento fetal ou não. Quando a mulher recebe anestesia os BCFs do bebê podem cair e ele pode liberar mecônio. O risco de aspirar mecônio na barriga aumenta. Da mesma forma, a aplicação de ocitocina sintética aumenta o risco de o bebê entrar em sofrimento e aspirar mecônio.
Foto: Arquivo pessoal de Anne Pires

20) Muitas cidades do Brasil tem equipes que atendem partos domiciliares. O parto domiciliar é seguro pra gestantes de baixo risco (há vários estudos atuais que mostram isso).

21) O bebê pode perfeitamente nascer na água e não afogam, porque estão respirando pelo cordão... e só param de respirar pelo cordão quando é cortado.
Foto: Kalu Brum
22) São gestantes de alto risco aquelas que tem pressão alta e diabetes, por exemplo.. e que precisam ter um acompanhamento maior.

23) Existe uma lista com mais de 130 falsas indicações de cesariana, enumerada pela obstetra Melania Amorim, professora da Universidade Federal da Paraíba (link aqui: http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/indicacoes-reais-e-ficticias-de.html)
24) Intervenções no parto acrescentam risco ao parto (litotomia, kristeller, ocitocina sintética, anestesia), por isso SÓ DEVEM SER REALIZADAS EM HOSPITAL. (Aliás... algumas, como kristeller, não deveria ser realizada, é condenada pela OMS! E a litotomia, só se for por vontade da mulher).
25) A ocitocina sintética pode ser usada em casa somente APÓS o parto, para conter hemorragia PÓS parto e NUNCA para acelerar ou induzir o parto
26) Toda mulher dilata, só não dilata se o médico não esperar.
27) A desproporção céfalo-pélvica (DCP) existe, mas só é diagnosticada em trabalho de parto E com dilatação total...
28) A data provável de parto (DPP) serve pra ter uma ideia de quando o bebê pode nascer. Bebês podem nascer até 42 semanas de gestação... contando com o erro do ultrassom (de 2 semanas pra mais ou pra menos), significa que o bebê pode nascer até 44s.... e sempre nascem (se não fizer cesárea antes). Bebês de gestação prolongada precisam ser monitorados com maior frequência.
29) A indução do parto com sorinho (ocitocina sintética) é feita rotineiramente na maioria dos hospitais brasileiros. Aumenta a dor do parto e aumenta o risco de sofrimento fetal (isso está escrito na bula da ocitocina). A indução nem sempre dá certo, se o colo não estiver "preparado" (naturalmente ou pelo misoprostol - outro medicamento indutor) aumenta a chance de indução fracassada e cesárea.


Foto: Google
30) Pressão alta não é indicação para cesárea e esse é um caso onde a indução pode ser bem indicada.
31) Cesárea anterior (1, 2, 3....) não é indicação de outra cesárea. A mulher que teve uma ou mais cesáreas pode SIM ter parto normal! Muitos médicos falam do risco de rutura uterina e de fato ele é maior após uma ou mais cesáreas, porém ainda assim o risco é baixíssimo (perto de 0.2%) e não justifica o risco da cesariana. Porém, nesse caso preciso ter cuidado extra, pois a mulher com cesárea anterior NÃO PODE induzir o parto por aumentar significativamente o risco de rutura uterina.
32) A pior posição pra parir é deitada! Parir deitada aumenta muito a dor e também o risco de laceração de períneo, em 30%. Aumenta o risco de sofrimento fetal por compressão da artéria umbilical.

Foto: Google
33) A mulher vai fazer força pra parir naturalmente, na hora certa. Não precisa obedecer o médico que quer que a mulher faça força na hora que ELE quer... isso se chama puxo dirigido e aumenta o risco de laceração de períneo.
34) O kristeller, procedimento que consiste em empurrar o bebê na barriga da mulher, é condenado pela Organização Mundial de Saúde por ser perigoso! Pode causar lacerações de órgãos internos na mulher, hemorragias, fraturas e dano cerebral no bebê e até morte... e aumenta muito o risco de laceração de períneo.
Foto: Google
35) a episiotomia (corte no períneo) é feita com a justificativa de "evitar a laceração" ou ampliar o canal de parto, mas não é necessária e já é a própria laceração. Lacerações naturais cicatrizam com maior facilidade e podem nem mesmo acontecer... especialmente se a mulher parir em posição vertical, SEM puxo dirigido ou kristeller.
Foto: Google
36) A maioria dos bebês nasce cefálica (a cabecinha sai primeiro), mas bebês podem nascer pélvicos, com um profissional que faça uma boa assistência de pélvicos;
37) Se a mulher não quiser um parto pélvico pode tentar o reposicionamento do bebê na barriga da mãe, através da VCE (Versão Cefálica Externa, que só pode ser feita no hospital) ou de exercícios para favorecer a versão natural.
Foto: Google
38) É importante lembrar que, enquanto o bebê está na barriga ele pode virar.
39) O mesmo vale pra bebês que não estão encaixados. Eles podem perfeitamente encaixar momentos antes de nascer, como os relatados pela Milena Caramori.
40) Depois do nascimento tem a placenta. A placenta nasce também. Temos o relato da Liliane Pinheiro que a placenta nasceu 9 horas depois de Tannat (link aqui: https://www.facebook.com/notes/roda-gestante/relato-da-placenta-que-nasceu-9-horas-ap%C3%B3s-o-parto-por-liliane-pinheiro/1047928348569559).

41) Tem mulher que come a placenta, que bate com açaí, que encapsula ou enterra no quintal. É um direito que ela tem, fazer o que quiser com o órgão que nutriu seu bebê.

42) O bebê que acaba de nascer É DA MULHER, DOS PAIS, não é objeto do hospital e, portanto, todo o procedimento realizado com o bebê precisa ser informado e AUTORIZADO pelos pais. Caso os profissionais se neguem a respeitar a autoridade dos responsáveis os mesmos podem solicitar e assinar um termo de responsabilidade, isentando os responsáveis de quaisquer danos que possam vir a acontecer (obviamente os pais escolhem aquilo que é menos ariscado e danoso aos filhos... concorde o médico ou não).
43) Normalmente o cordão umbilical é cortado logo que o bebê nasce e o sangue da placenta é jogado no lixo. Mas o ideal é que só seja cortado APÓS parar de pulsar... pois enquanto o cordão esta pulsando há sangue da placenta indo pro bebê. Ese sangue é importante pra prevenir anemia e outras doenças. O meu aqui pulsou por 1 hora e 15 min, no hospital eles cortam entre 1 e 3 min... claro que há casos específicos que o corte deve ser imediato, como quando a mãe é portadora de HIV.
Foto: Rhuanny Peixoto
44) O bebê nasce branquinho de vérnix que serve pra proteger a pele do bebê de infecções e da perda de calor, porisso não deve-se dar banho no bebê logo que ele nasce, mas sim APÓS 24h. Todo o vérnix é absorvido pelo corpo do bebê.
Foto: Rhuanny Peixoto

Foto: Arquivo pessoal de Dira
45) A mulher pode comer o que quiser e beber água durante o trabalho de parto.
46) Não importa o tempo de gestação, o tempo de trabalho de parto, o tempo de bolsa rota, o tempo de expulsivo... o que importa de fato é a vitalidade fetal (BCFs) e a vitalidade da mulher (pressão, temperatura).
47) A mulher tem direito de ter um acompanhante durante o trabalho de parto, é lei federal! E a lei do hospital não pode ser superior à lei federal!!!
Foto: Google
48) A doula é reconhecidamente importante pra boa evolução do trabalho de parto, mas nem sempre permitem que ela entre no hospital com a mulher.... muitas vezes pedem pra mulher escolher o marido ou a doula.
Foto: Rhuanny Peixoto
49) Parto é sexo. Os mesmos hormônios liberados no sexo são liberados no parto. Estresse faz com que a mulher libere adrenalina, que inibe a ocitocina e atrapalha o bom desenrolar do trabalho de parto. Por isso a mulher precisa de privacidade e liberdade pra gemer, gritar, chorar, assumir posições que deseja. Por isso a mulher precisa parir no ambiente que se sente mais segura e à vontade. Por isso a mulher PRECISA ser respeitada. Mulheres que conseguem parir em ambiente hostil são guerreiras vitoriosas!
Foto: Arquivo pessoal de Luciana Marcolino
50) O sêmem contem protaglandina, que ajuda a afinar o colo do útero... porisso pode sim ajudar a desencadear o trabalho de parto... além que sexo estimula a produção de ocitocina.

51) Assim que o bebê nasce, deve ir diretamente pro seio da mãe, trocar olhares, esse contato pele a pele é importantíssimo pra estabelecer vínculos, o chamado "imprinting" inicial.
Foto: 5 do 12 by Vanessa Cavalcanti
52) A rotina geral em todos os hospitais é levar o bebê logo que nascer pra realização de procedimentos dolorosos, desnecessários e até arriscados, como aplicação de colírio de nitrato de prata (que só serve pra mãe que tem gonorréia ativa no momento do parto normal)... o nitrato de prata pode causar conjutivite química e até cegueira (vide bula); aspiração nasal e oral, sondagem anal e gástrica (fere a mucosa e não é necessária!), banho com retirada de vérnix (como já foi falado anteriormente, o vérnix é absorvido pelo corpo e protege contra infecções e perda de calor); levam o bebê pra ser aquecido em incubadora (depois de retirar o vérnix... e a melhor incubadora pra aquecer o bebê é o colo da mãe);
53) Quando o bebê é afastado da mãe geralmente dão leite artificial pro bebê se acalmar e dormir (quando deveria mamar no seio materno), isso dificulta a pega e o estabelecimento do aleitamento materno.
54) Geralmente o bebê perde peso após o nascimento, mas quando há dificuldade no aleitamento materno o bebê perde mais.... então costumam dar MAIS leite artificial e soro glicosado ao bebê. Dificultando ainda mais o estabelecimento do aleitamento materno.
55) Bico de peito rachado é ocasionado por má pega. É importante procurar ajuda profissional no banco de leite, pra ajustar a pega e parar de machucar.
56) Peito empedrado pode causar mastite, muitas vezes é causada porque o bebê não está mamando o suficiente ou em livre demanda. Não marcar hora por bebê mamar é importante, assim ele fica alimentado e evita esses problemas.
57) O colostro é o aquele leite ralinho que o bebê vai mamar logo que nasce. É um leite ralinho, mas riquíssimo nutricionalmente e também em anticorpos.
58) A mãe produz o leite suficiente pro seu filho, completo nutricionalmente e com água suficiente pra saciar a sede do bebê. Até os 6 meses a mãe deve amamentar exclusivamente (isso significa alimentar o seu filhos somente com leite materno, sem chá, suco ou outros líquidos, sem leite artificial e SEM ÁGUA).
59) Chupetas e mamadeiras comprometem a amamentação em curto ou em longo prazo. A produção do leite materno depende da sucção do bebê. Há fases em que o bebê chupeta por mais tempo (chamados picos de crescimento) exatamente pra estimular a produção de leite materno. Logo após essas fases o bebê volta a mamar por menos tempo até o próximo pico de crescimento.

60) Muitas mães fazem cama compartilhada (CC) com os filhos.

61) Muitas mães praticam a criação com apego.

62) Mulheres grávidas podem amamentar. As contrações geradas pela amamentação não são abortivas (somente em casos muito específicos).
Foto: Arquivo Pessoal de Milena Caramori

63) A mãe pode amamentar o filho mais velho e o recém nascido sem prejuízo de colostro. Porque o colostro é produzido por tempo, não por quantidade. Com 2 bebês mamando o que vai acontecer é aumentar a produção pra alimentar os dois.
Foto: Arquivo pessoal de Milena Caramori

64) Ser curiosa e se informar é sempre bom.. informação nunca é demais. 
65) Essa lista estará sempre sendo atualizada, e você pode ajudar escrevendo pra gente!

Obrigada!

Milena Caramori