terça-feira, 5 de maio de 2015

Cesariana, parto normal padrão ou parto humanizado: qual a impressão das mulheres que passaram pela experiência?

CESARIANA É MESMO INDOLOR?

Pedimos pra mulheres descreverem o sentimento que tiveram em relação à cesariana no grupo "Parto Cezáreo Sim! Por quê não?" e selecionamos algumas das declarações para apresentar no I Seminário Alagoano sobre Humanização do Parto e Nascimento:

“Medo, angústia, solidão e uma ferida que nunca irá cicatrizar.”
(Eleide Mota)

"A sensação de não estar participando de nada.”
(Débora Soares)

“Fria, sem emoção. Impactou a amamentação”
(Juliana Freitas, médica)

“A pior experiência da minha vida.”
(Vanessa Gomes Lemos)

“Uma experiência traumatizante e dolorosa, que trouxe consequências quase desastrosas para a amamentação. Além disso, em virtude da limitação física imposta, me tornou dependente de ajuda no puerpério.”
(Paula Onofre Oliveira)

“O pós foi o cão. Muita dor ao urinar, não poder tossir, rir ou espirrar. Ajuda do marido para colocar até a calcinha.”
(Daniele Mota de Oliveira)

“Foi o maior inferno que eu vivi.”
(Marcelle Souza Schott Ribeiro)

“Uma imensa sensação de vazio, antes, durante e depois. Um buraco enorme na minha alma.”
(Ana Cristina Duarte)

“O que era pra ser o melhor dia da minha vida, foi o pior. Me senti impotente, fiquei sozinha e minha filha longe de mim. Todos sorriam felizes, menos nos duas. Horrível!!!”
(Vanessa Soares)


E O PARTO NORMAL PADRÃO? COMO É?

E também pedimos que as mulheres que tiveram parto normal padrão (cheio de intervenções desnecessárias e dolorosas) nos contasse sobre seus sentimentos em relação ao parto:

“sem acompanhante pré parto, ocitocina, camisolinha, sem água, sem comida, enfermeiras não respondiam, toque forçado (...), bolsa rompida artificialmente, amarrada na cama para cardiotoco de 50 min, (...), coroou, enf me leva p sala de parto, maca fininha fiquei com medo de cair, amarra perna na maca, (...), puxo dirigido, kristeller, episiotomia, gritos, risadas e humilhação, episiotomia sem anestesia local, sutura sem anestesia, bebe 1 min no colo e foi p o berçário 7 horas sem mamar. 12 pontos na episio.”
(Relato da Laura Alonso, que foi semelhante às declarações da Karem Paladina, Luciana Pamela, Thatiana Cardozo, e a minha, inclusive
... com algumas variações de procedimentos ... alguns a mais ou a menos...)
(Luciana Pamela após o parto normal frankestein)

e sobre intervenções com recém nascido... “Ouvia ele chorando sem parar. Depois de alguns minutos trouxeram meu filho todo embrulhadinho. Eu queria ver as mãozinhas, os pezinhos…. mas lá estava ele embrulhado, de luvinha, touquinha, meinha. Nem fazia ideia do que haviam feito com ele…”
(Milena Caramori)


“Sei que meu parto foi cheio de intervenções (…), mas foi normal como planejei e não fui cortada (…),quero ter outros filhos e dessa vez, vou me preparar melhor para teR meu PN humanizado.”
(Daniela Belo: parto normal hospitalar/ 2 obstetras)


“Em nenhum momento eu pensei em desistir. Mesmo quando o pediatra estava me olhando assustado e dizendo "nossa, tá difícil", nem assim eu achei que ele não nasceria ali. Eu tinha certeza de que conseguiria. Por isso, pra quem quer um parto normal, meu maior conselho hoje é, informe-se e não desista, você consegue.”
(Jacqueline Freire, parto normal hospitalar)


“Nosso médico foi essencial para conseguirmos chegar na realização deste sonho, pois ele respeitou as minhas decisões, foi encorajador, carinhoso, deu espaço quando eu pedia para ficar sozinha (…), e tive meu bebê de modo normal. Foi um sonho realizado.”
(Luana Ribeiro – parto normal hospitalar)



E O PARTO HUMANIZADO?

E... FINALMENTE... o PARTO HUMANIZADO... qual o sentimento das mulheres que tiveram um humanizado (ou que buscaram por um)? Esse parto onde a mulher é respeitada... onde a mulher não sofre intervenções desnecessárias e dolorosas...  onde a mulher tem consigo o acompanhante que desejar, onde são oferecidos métodos de alívio da dor... o que as mulheres que pariram humanizadamente acharam dos seus partos?

Obs.:com exceção do relato da Larissa, todos os demais abaixo são relatos de Alagoas, de mulheres que passaram pelo grupo Roda Gestante

"Parir meu quarto filho depois de ter passado por 3 cesáreas foi a realização mais mágica da minha vida. Consegui levantar e tomei um banho! Quanta diferença!!!!! Quem teve três cesáreas, ficar em pé alguns minutos após o nascimento do filho é quase uma loucura! Eu me sentia poderosa, forte, mulher!!!!! Tomei banho e voltei para a cama limpinha e peguei meu filho no colo. Peladinho, só de fralda e enroladinho em um pano. Lindo!!! Perfeito. E o que pude falar para ele naquela hora foi: ' Obrigada! Conseguimos!' "
(Larissa Moris Hernandes, 33 anos, estudante de enfermagem,
depois do VBA3C do Francisco) esse relato foi retirado do blog da Melania Amorim – Estuda Melania, estuda! (http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/estudando-vbac-1-experiencias-de-vba3c.html)

“Fiquei muito satisfeita (...) tudo foi explicado antes, em nenhum momento me senti desamparada”
(Andréia – parto normal hospitalar)


“A voz do meu marido no meu ouvido dizendo que ele tava vindo me fez encontrar a força que eu considerava perdida. Então ele veio, veio pra os meus braços. Esse foi o momento mais mágico, mais inexplicável que tive na vida. Vai ficar cristalizado na mente.”
(Lidi Felicidade – parto normal hospitalar)


“Eu não podia imaginar meu parto sem meus filhos...Lucas mamou minutos antes de davi nascer e Pedro cortou o cordão.”
(Milena Caramori, parto domiciliar)


“Cada um tem direito a escolha, eu RECUSEI SER PACIENTE QUE SE SUBMETE A REGRAS DETERMINADAS, escolhi a AUTONOMIA, ser a dona do meu parto! O parto foi um MOMENTO ÚNICO na minha vida, confesso que é tão mágico que ainda me sinto com a adrenalina circulando...”
(Diana Lima, parto domiciliar)


“ tudo valeu a pena, principalmente por poder me sentir tão selvagem e mesmo assim me tratarem com tanta humanidade.”
(Shayana Busson – parto domiciliar)


“Senti algo inexplicável nos braços do meu esposo...uma explosão de emoção partiu de dentro de mim...eu chorava como uma criança, e gritava de felicidade...eu dizia que eu era feliz, e agradecia a Deus por aquilo, que minha filha ia nascer... aquilo tomou conta de mim...e meu esposo a me abraçar e a chorar junto comigo, numa mesma sintonia.”
(Denise, cesárea intraparto)


“minha esposa, mãe da Maya, foi uma leoa, forte, focada, guerreira, suportando contrações fortíssimas por horas, até conseguir estabelecer uma conexão que eu nunca tinha sequer imaginado, uma conexão entre mãe e filha, única.”
(Demian, sobre o parto da esposa, Paulinha Kedouk – PD)


“Ao final de tudo considero o meu parto orgástico, puro prazer (…) quase dois meses depois ainda estou ocitocinada, é muito amor.”
(Marcelle Tanylle)



“ lindo, mágico, místico e transformador”
(Letícia Pacheco – VBAC domiciliar)
“Lê me permitiu estar do lado a cada contração. Dançamos, cantamos, namoramos, fiz massagem, fiz comidinha para ela e demos muitas risadas. Foi um momento muito feliz, a dor era presente mas não é o que marcou nossa experiência, pois compartilhamos amor mais do que qualquer outra coisa.”
(Joaquim Prado, sobre a esposa Letícia Pacheco)


“Foi perfeito com todas as imperfeições! A experiência mais incrível de nossas vidas!!! Sinto-me ligada aos meus amores por essa luta e pelo amor que dela se alimentou.”
(Gilson sobre a esposa, Débora – PD)


“Parir é amor na essência, é transformação, é emoção. Sem dúvida a maior experiência de amor que eu já vivi!”
(Thássia Santos – parto domiciliar)


“Viveria aquele momento mais um milhão de vezes!
(…) linda e imperdível experiência de vida!!!”
(Bela – parto natural hospitalar)


“um lindo, demorado, respeitoso e surreal parto natural”
(Guadalupe Sanches – parto normal hospitalar)


“O nascimento de Analu me conectou diretamente com o divino e me levou para o mar mais profundo de minha essência!
Chega a ser indescritível! Quero parir de novo. “
(Dira Eugênio: parto domiciliar)


“Eu olhei para aqueles olhos escuros. Era um olhar profundo e muito calmo e seguro. Naquele momento me coloquei a disposição dela para sempre. E ela depois de olhar para nós levantou a cabeça e olhou para o lado onde todos estavam a lhe esperar. Foi incrível! Meu esposo atrás de mim falou: Amor me dá um beijo. E naquele instante um sentimento de muito amor tomou conta de mim e o beijei muito.”
(Liliane Pinheiro – parto domiciliar)


Quero outros filhos, quero outros partos, todos dignos, respeitosos e cheios de amor como esse foi. Parir é bom demais!”
(Cinira Honorato, parto domiciliar) / 3 obstetras)



PS: tivemos a autorização de todas as mulheres para citá-las com suas declarações. 

O Roda Gestante tem trabalhado para empoderar as mulheres através da informação, para que mais mulheres possam escapar de cesarianas desnecessárias e de partos violentos. Para que consigam um parto humanizado, assistido com respeito e profissionalismo, e que possam relembrar do parto como um evento maravilhoso! Porque o parto é inesquecível... nada como lembrar desse evento com saudade, relembrando que a dor foi transformadora e não sofrida.

E que venham mais relatos de bons partos! 

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