sábado, 3 de dezembro de 2016

Relato de Parto de Kelly Muniz

4 DIAS DE DOR

Tudo começou na sexta feira: 25/08, quando eu comecei a sentir as dores das contrações; resolvi cronometrá-las pra ver se eram ritmadas e se eu devia ir para a maternidade... elas não eram ritmadas... vinham de 11 em 11 min, 5 em 5, depois 15 em 15, enfim, eram os 'pródromos' - o falso trabalho de parto. Não pude dormir a noite inteira e isso se estendeu até a madrugada da segunda, 29/08. Por volta das 22h, elas começaram a ficar ritmadas... começou por 5 em 5 min, depois o espaço de tempo foi diminuindo, até chegar a 2 em 2 min. Aí fui tirar roupa da corda, varrer novamente a casa, comer uma maçã (sabia que ia precisar de energia p/ o que estava por vir), verifiquei as malas e já as posicionei no sofá, junto com a pasta de documentos, depois tomei meu 6º banho e fui acordar meu marido: já eram 2 da manhã e ele acordou e ficou olhando pra mim com cara de quem não tinha acordado ainda, eu disse: "Pedro, levanta! Temos que ir para a maternidade!"

Chegamos a maternidade e eu fui avaliada com um exame de toque, a médica disse que eu estava com 1 cm de dilatação - Meu Deus, não conseguia acreditar... já estava sentindo muitas dores há quase 4 dias, evitando ao máximo ir para a maternidade, precocemente, acreditando que chegaria lá já com uns 8 cm de dilatação, pq havia ficado em casa, sem o caos e a hostilidade que um hospital tem, mas não... mal tinha começado o franco trabalho de parto. Fui internada na obs, por volta das 2h e 30, andei sem parar pelos corredores, fiz agachamento. estava hiper cansada da maratona de dores e noites sem dormir que já vinha enfrentado, mas a vontade de conhecer a minha filha era descomunal e me dava forças para dar o que eu achava que não tinha para a chegada dela.






Às 4h tive que dar uma pausa para ser avaliada novamente: 3cm de dilatação. Senhor, quanto tempo mais isso vai durar? Pensei... Mas voltei aos exercícios, logo amanheceu, e o Pedro nao saiu do meu lado um segundo, caminhou comigo, segurou a minha mão, me fez querer que ninguem mais estivesse ali. Fui avaliada novamente por volta das 8h e estava com 5cm de dilatação, a equipe de enfermeiros, assistentes sociais, médicos, estavam vibrando conosco, pq me viram tão colaborativa para ter a Marina de parto normal. Nesse momento fui encaminhada para a sala de pré-parto, onde eu pude fazer mais exercícios na bola, tomar banho de imersão, ter um acompanhamento com um fisioterapeuta, doula, psicologa, ass social, enfim... me trataram com tanto carinho que às 10h já estava com 8cm... ouvimos musica, contamos piadas, demos risadas entre uma contração e outra.


Passaram uma média de 5 grávidas, chegando depois de mim e todas já haviam tido seus bbs. eu tentei não me ligar nisso, mas já estava ficando cada vez mais tensa com esse fato. Precisava conhecer a minha filha, tê-la em meus braços, necessitava que aquela dor parasse - eu tava EXAUSTA, perdendo as forças. O Pedro foi almoçar e quando ele voltou, eu falei super feliz: "Amor, estou com 9 cm, a hora do expulsivo está chegando; eram mais ou menos 2 e pouca da tarde, me perguntaram como eu gostaria de parir; eu disse que da forma que eu ficasse menos desconfortável: fiquei de cócoras em cima da maca, depois colocaram uma banqueta com um buraco pra que eu sentasse e a Marina pudesse nascer ali mesmo, voltei a ficar de cocoras, mas terminei na posição da cesárea - pq nao estava mais suportando a dor.






Marina, tinha coroado, e por mais força que eu fizesse ela nao saia... a Médica, então decidiu estourar a bolsa e lá estava o tão temido mecônio. Entrei em desespero, pq sabia que se ela aspirasse, pegaria uma infecção e ia pra UTI. Ela foi auscultada e os BCF estavam normais, mas eu entrei em estado de choque, só pensava q a qualquer momento ela poderia aspirar... eu não tinha mais forças, não conseguia nem me sentar. Fui encaminhada p/ a sala de cirurgia, pra onde eu não queria ir de jeito nenhum... mas naquele momento era td o que eu queria, pq eu sabia q ela ainda podia demorar e naquele momento o tempo era crucial... A anestesista não conseguia me anestesiar pq eu não conseguia me manter sentada; 3 enfermeiras me seguraram e inclinaram a minha coluna para finalmente conseguir ser anestesiada. Mal senti a picada, eu estava na partolandia mesmo, tinha me transportado pra outro lugar onde a dor me deixou grogue... quando não sentia mais o corpo, quando aquela dor passou - restou um lugar enorme pro cansaço ganhar em primeiro lugar... eu mal conseguia manter meus olhos abertos, não conseguia assimilar o que a medica conversava com as enfermeiras, eu só conseguia pensar que eu não ia conseguir receber a Marina como eu gostaria, como eu esperava q fosse. às 17h51, o momento mais esperado da minha vida, chegou: Ela nasceu! linda e chorona, com 2 circulares de cordão, 3.680 kg e 51 cm, meu pacotinho de amor. Meu Deus que sensação estranha... a de estar grogue, conhecer a sua filha.. assimilar td aquilo não foi mto possível naquele momento. O motivo de eu estar compartilhando isso aqui, algo tao intimo, é de querer passar a mensagem de que nem tudo sai à nossa vontade. mas sim como tem que ser! eu almejei um parto normal, almejei ter energia para ao menos conseguir sentir emoção ao receber minha filha, almejei ter autonomia para segurá-la sem dor no pós parto, enfim... Não foi nada daquilo que planejei, mas ressignificou a minha vida. Me fez perceber que nem sempre as coisas saem como planejamos, mas nem por isso diminui a importância disso, Marina nasceu com saúde do mesmo jeito, Marina me ama do mesmo jeito. Hj, tenho autonomia para segura-la sem dor, tenho forças pra sentir e conseguir segurar todas as emoções q ela me faz sentir, sou outra pessoa: Mãe/mulher mais segura, com valores muito mais significativos, com mais gratidão, com mais amor. E passaria por td isso de novo pra tê-la. Nem uma vida inteira, será capaz de ser suficiente para expressar toda a minha gratidão a Deus, ao meu marido que me deixou ainda mais apx, ele foi mto incrivel, sem ele eu acho q nao chegaria na metade do caminho e a todas as pessoas q passaram por mim naquele dia e q me deram força, me ajudaram a dar td de mim e a ficar como estou hj: REALIZADA.

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